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Revista Brasileira de Psicanálise

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BIOGRAFIAS

Karl Abraham

Karl Abraham nasceu em 03 de maio de 1877 e faleceu em 1925, aos 48 anos de idade. Encontrou Freud pela primeira vez em novembro de 1907, numa visita que lhe fez em Viena. Estabeleceram um laço de amizade que durou até seu falecimento. Ainda em 1907 estabeleceu-se em Berlim, onde iniciou uma clínica psiquiátrica. Tinha grande capacidade de ensino, tendo realizado certo número de análises didáticas, inclusive de Melanie Klein. Assistiu a todos os Congressos da Associação Psicanalítica Internacional realizados até sua morte, tendo sido eleito presidente da Associação em 1924 e reeleito no ano seguinte.

De acordo com Ernest Jones, na Introdução do livro de Abraham Teoria Psicanalítica da Libido, esse autor desenvolveu e publicou diversos artigos interessantes sobre sonhos e mitos, ejaculação precoce, neuroses de guerra e o complexo de castração nas mulheres.

Seus estudos sobre a evolução da libido e a formação do caráter, publicados no livro acima citado, tratam de conceitos que só vieram a ampliar as idéias psicanalíticas do início do século XX. Abraham fez aproximações entre a melancolia e a neurose obsessiva, ressaltando que nessa última, nos casos graves, a libido não pôde desenvolver-se de maneira normal, porque o amor e o ódio, as duas tendências opostas, estão sempre interferindo uma com a outra. Um alto grau de ambivalência pode ser percebido em ambas as enfermidades. Indicou que os sintomas obsessivos se achavam presentes, com certa frequência, nos casos de melancolia e que os neuróticos obsessivos estão sujeitos a estados de depressão.

Entretanto, destacou que, apesar de sua relação comum com a organização sádico-anal da libido, a melancolia e a neurose obsessiva mostram diferenças fundamentais não apenas no que se refere à fase à qual a libido regride no início da doença, mas também na atitude do indivíduo para com o objeto, já que a melancolia abandona o objeto, ao passo que o obsessivo retém, sendo que o processo de regressão na melancolia não se detém no nível mais antigo da fase sádico-anal, mas retrocede em direção a organizações ainda mais primitivas da libido.

Abraham atribuiu às fixações orais e à boca como zona erógena a dificuldade de algumas crianças de dormirem ininterruptamente à noite; acordam e fazem saber que desejam o seio ou a mamadeira ou encontram um substituto.

Deu destaque ao desmame e às suas consequências, destacando que as mães neuróticas retardam o desmame dos filhos por um longo tempo, pois o ato de oferecer o seio para ser sugado é fonte de prazer. Em contrapartida, algumas crianças neuroticamente predispostas reagem à tentativa do desmame ingerindo pouco leite, obrigando a mãe a ceder, em alguns casos podendo essa dificuldade persistir até a idade escolar.

Ainda tratando do processo da melancolia, demonstrou que em alguns casos onde o paciente recusa-se a ingerir qualquer alimento, ele está, na verdade, se punindo por seus impulsos canibalescos. Conclui que o melancólico está sempre tentando fugir de seus impulsos sádico-orais, enquanto que por trás desses impulsos existe o desejo de uma intensa atividade de sugar.

Bibliografia:
Abraham, Karl. Teoria Psicanalítica da Libido. Rio de Janeiro: Imago, 1970.

Resenha elaborada por Renata Viola Vives, psicóloga, membro do Instituto de Psicanálise da Sociedade Brasileira de psicanálise de Porto Alegre.