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Organização Regional da IPA

Uma sinopse dos regimentos dos institutos do Brasil componentes da Febrapsi

por Leonardo Francischelli

No momento em que realizamos nosso trabalho sobre os Institutos das Sociedades Federadas, integrando-se, então na ABP, agora Febrapsi, contávamos com doze Institutos. Naquele período, foi possível observarmos que todos seguiam uma mesma estrutura para formação de novos analistas, nas diferentes regiões do Brasil.

Atualmente, contamos com um instituto ligado a Belo Horizonte, pela passagem de Núcleo para Grupo de Estudos, sob tutela da IPA, considerado o primeiro estágio para alcançar a condição de Sociedade Provisória e, logo, definitiva. Saudações aos colegas mineiros pelo trabalho até aqui realizado.

Podemos constatar a expansão da Psicanálise através da constituição de novos Núcleos, ainda dependentes das diferentes Federadas, que aguardam sua passagem a Grupo de Estudos.

A Sociedade Psicanalítica do Recife contém o maior número de Núcleos sob sua orientação, sendo um desejo de todos que os mesmos manifestem sua vontade de passar a Grupo, passo intermediário para se tornarem Sociedades Componentes da IPA, ao passo que o Núcleo de Belo Horizonte deu um grande salto, como salientamos acima.

A estrutura dos Institutos é orientada, em geral, pelos seguintes critérios:

  1. Análise didática
  2. Supervisão
  3. Seminários

A análise, hoje nomeada pessoal, desde o Congresso de Berlim, em 2007, é condição imprescindível para a formação de novos analistas, com a solicitação de seu início no ano anterior ao ingresso em seminários teóricos. A duração da análise corresponderia ao período do bloco da formação, ou seja, quatro anos de seminários mais duas supervisões clínicas. Os Institutos, em sua maioria, fornecem a lista dos analistas qualificados como didatas do Instituto, para que o candidato fique livre na escolha do mesmo, caso ele não se apresente já em análise, o que é comum em nosso meio.

A supervisão clínica corresponde ao que, em seus primórdios, era considerada a análise de controle de dois pacientes com diferentes analistas qualificados, durante dois anos para cada caso. O objetivo desta tarefa é que o futuro analista leve para a supervisão como ele desenvolve seu trabalho clínico com um determinado paciente a quem atende, com uma freqüência de quatro sessões semanais. Alguns Institutos medem o tempo em horas e nenhum deles aceita menos de 80 horas para cada caso.

Os seminários fazem parte da formação teórica de cada Instituto, com a duração mínima de quatro anos, com quatro seminários semanais e sistemáticos, coordenados por analistas igualmente qualificados. Alguns Institutos se organizam de forma diversa quanto a anuidade; utilizando a chamada “liberdade curricular”. Nesta, o candidato escolhe dentro de seus critérios, o número de seminários que deseja cursar ao longo do semestre, cabendo-lhe eleger um determinado número de seminários obrigatórios e optativos, estabelecidos pelo Instituto, para complementar sua formação teórica.

Ainda no “bloco formativo”, alguns Institutos solicitam um trabalho teórico-clínico e outros uma monografia que deverá ser apresentada à Sociedade. Outros trabalhos são requeridos, como modalidades adotadas para avaliação do desempenho do futuro analista, sendo uma das formas de auxiliá-lo a exercitar sua compreensão e escrita analítica.

Dessa maneira, já contamos com o trabalho individual, representado pela análise e supervisão, e coletivo, localizado nos seminários do futuro analista, que compõem o bloco da formação. O conteúdo teórico tem como eixo central o estudo das obras de Freud e Klein, sem descuidar dos seus principais seguidores e autores contemporâneos. Este seria um esquema geral das formações nos Institutos das Sociedades Federadas.

Em princípio, é necessário ser médico ou psicólogo para solicitar ingresso na formação psicanalítica dos Institutos ligados à IPA. A exceção cabe à Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo e à Sociedade de Psicanálise de Brasília, que mantém ingresso de outras categorias de profissionais em seus Institutos, dependendo das avaliações dos mesmos.

Uma nova mudança que os Institutos vêm sofrendo é a modificação da nomeação de candidatos para analistas em formação. Alguns aderiram a esta nova nomenclatura, considerando-os membros do Instituto ou analistas em formação, entre outras formas de chamá-los. Cabe observar que no organograma das autoridades de alguns Institutos, são incluídos representantes dos analistas em formação, como uma maneira de manter vitalidade, intercâmbio e maior proximidade entre as diferentes categorias societárias.

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